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broca no café

Não deixe a broca “perfurar” seus lucros

Não deixe a broca “perfurar” seus lucros
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A broca-do-café Hypothenemus hampei é a segunda praga mais importante em cafeeiro Arábica no Brasil, pertencente a ordem Coleoptera, o adulto da broca do café é um besouro de coloração preta, sendo as fêmeas maiores que os machos, com aproximadamente 1,65mm de comprimento e os machos apresentando 1,18mm. Outra diferença entre os sexos é a fêmea possuir dois pares de asas, possibilitando-as voarem em direção aos frutos, enquanto que os machos apresentam asas atrofiadas e não voam.

broca-cafeFonte: Google imagens

A broca-do-café ataca somente a cultura do café, sendo uma praga monófaga, dessa forma, frutos remanescentes da colheita anterior são uma ótima oportunidade para a permanência dessa praga no período de entressafra.

Ciclo de vida da Broca do cafeeiroCiclo de vida da Broca do cafeeiro

A época de transito é caracterizado pela movimentação das fêmeas após o acasalamento à procura dos frutos verdes sadios da nova safra, para perfurar e verificar se a umidade está adequada para realização da postura.Se com umidade adequada, é construído uma galeria que atinge o interior da semente.

broca no café

Dessa forma, a umidade é um fator importante a ser considerado, pois quanto mais úmidos estiverem os frutos da entressafra, maior será a sobrevivência e multiplicação desta praga. Isso vale também para anos mais úmidos que apresentam uma maior predisposição de ter um início de população de broca mais alta.

Danos

Os danos são causados pelas larvas que se alimentam dos grãos de café, acarretando em perda de peso e depreciando seu tipo, uma vez que grãos brocados são considerados defeitos (2 a 5 grãos broqueados = 1 defeito) e dessa forma podendo desvalorizar o preço de venda do produto. Outro prejuízo causado por essa praga é a possibilidade de perda da qualidade da bebida, uma vez que os orifícios podem servir como porta de entrada de patógenos causando fermentações indesejáveis aos grãos.

Monitoramento

O monitoramento é um manejo importante de ser realizado, devido à dificuldade de controlar a broca no período que as larvas se encontram dentro dos frutos, alimentando-se das sementes, período esse que ocorre após a eclosão das larvas.

Dessa forma o monitoramento no período de transito para verificar a infestação da praga e inferir na necessidade de controle é uma ótima alternativa, uma vez que pode proporcionar diminuição dos custos, pois o controle será realizado apenas nos talhões com infestação superior à permitida.

A época de se atentar ao monitoramento é cerca de 60 dias após a maior florada, por isso é importante estar atento na florada, para contabilizar os dias que ocorre o período de transito, para dessa forma observar os orifícios realizados pela praga, que dependendo da infestação pode ser visto tanto na região da coroa do fruto, como também nas laterais.

broca no café verde

A amostragem deve ser realizada com o maior número de frutos possíveis em torno de 200 a 500 frutos, sendo que quanto maior o número de frutos, mais representativo da realidade. Com relação ao índice de controle, tem-se na literatura de 3 a 5%, entretanto, na prática já se tem entrado com o controle com 1% de infestação, devido a rapidez que essa praga se desenvolve a causa prejuízos.

café atacado pela broca
Controle

Após a proibição do Endosulfan, que era um inseticida barato com alta eficiência de controle porém muito tóxico, o controle dessa praga tornou-se um desafio para os produtores, entretanto, foram lançados muitos produtos registrados para a cultura. Apesar disso, o controle dessa praga ainda se apresenta muito dispendioso, dessa forma, além de um bom monitoramentopara a tomada de decisões mais acertadas, é indispensável a realização de um manejo fitossanitário, que envolve a combinação de mais de um método visando o controle dessa praga.

Dentre os métodos de controle, podemos citar o controle cultural, o biológico e o químico. No controle cultural, além de adubações e outros tratos culturais adequados, para que a cultura tenha uma maior capacidade de suportar os danos causados pela praga(HAJI et al., 2002), uma boa colheita visando retirar os frutos remanescentes da planta ou do solo torna-se uma pratica aliada para diminuir a fonte de alimento desses insetos. No controle biológico, utiliza-se o fungo Beauveriabassiana, que atuam colonizando a broca-do-café.

Para o controle químico, podemos citar alguns grupos químicos presentes nos produtos: Ciantraniliprole, Clorpirifós, Clorantraniliprole, Abamectina e Espinosade, podendo aparecer nos produtos somente um grupo químico ou a associação de mais um deles, entretanto, deve-se tomar cuidado com misturas de alguns ingredientes ativos ou mesmo utilizar doses muito elevadas de alguns ingredientes ativos, pois mesmo apresentando o controle eficiente para a broca do café, ele pode resultar em desequilíbrio de outras pragas, com a morte de inimigos naturais, dificultando assim seu controle.

Referências:

HAJI, F.N.P.; PREZOTTI, L.; CARNEIRO, J.S.; ALENCAR, J.A. Trichogrammapretiosum para o controle de pragas no tomateiro industrial, p.477- 491. In: PARRA, J.R.P.; BOTELHO, P.S.M.; CORRÊAFERREIRA, B.S.; BENTO, J.M.S. (Ed.). Controle biológico no Brasil: parasitoides e predadores. Piracicaba: Manole, 2002.