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4 dicas importantes para o manejo de brusone no trigo

4-pontos-brusone-no-trigo1Com quais doenças você já se deparou na cultura do trigo? Em qual fase de desenvolvimento da lavoura? O trigo pode sofrer com o ataque de diversas doenças, que podem afetar desde o início do seu desenvolvimento até o final de seu ciclo e sem o devido tratamento elas podem provocar perdas consideráveis. Sendo assim, no cultivo dessa lavoura é muito importante saber identificar corretamente essas doenças, conhecer suas características e entender a biologia do patógeno envolvido. Com essas informações em mãos é possível tomar as melhores decisões para a proteção da lavoura.

De todas as enfermidades do trigo, a brusone, chamada de branqueamento da espiga, é provavelmente a responsável pelos maiores prejuízos. Causada pelo fungo Pyricularia grisea seus, danos aparecem durante o espigamento da cultura. Quando sua infestação é alta e a eficiência de controle é baixa, as perdas podem chegar a 50% no rendimento de grãos.

Para conhecer melhor essa doença, fique atento aos 4 pontos mais importantes sobre a brusone que elencamos a seguir:

1- Condições ambientais que favorecem a brusone

A ocorrência da doença é favorecida em condições de elevada precipitação pluvial, dias nublados e temperaturas variando entre 24-28°C. Locais onde o período de orvalho é longo, cerca de 15 horas, criam condições favoráveis à disseminação do patógeno, além de um período de 10-14 horas de molhamento sobre as espigas.

Os maiores danos com essa doença ocorrem quando as condições descritas coincidem com o período de desenvolvimento da lavoura, que vai do emborrachamento até o grão leitoso. Uma das maneiras de gerenciar o risco da brusone é conhecer as características climáticas do local de cultivo, a época de florescimento da cultivar plantada e integrar essas informações à época de plantio da lavoura.

2- Como ocorre a disseminação da doença

A Brusone pode sobreviver em sementes infectadas, hospedeiros secundários ou em restos culturais, este último pode ser considerada a principal fonte de inóculo do patógeno. Seus esporos são pequenos e leves, facilmente dispersos pelo vento e podendo atingir áreas muito distantes da fonte de origem, parecido com o que ocorre com as ferrugens.

As plantas que podem ser hospedeiras alternativas da brusone são: milho, milheto, arroz, cevada, azevém e algumas gramíneas nativas. Desta forma é importante observar a presença de plantas invasoras que podem hospedar o patógeno, bem como sucessão com plantas hospedeiras em áreas de ocorrência de brusone.

3- Como identificar os sintomas da doença

Os principais sintomas podem ser observados na espiga devido à sua descoloração, ela pode se tornar branca principalmente na sua metade superior (acima do ponto de infecção). O principal ponto de infecção dessa doença na espiga é a ráquis, a qual uma vez infecta apresenta lesões escuro-brilhantes.

No campo é fácil identificar o patógeno, pois a espiga fica com uma coloração dupla, branco-palha acima da infecção e verde abaixo. Em uma observação atenta da lavoura também possível identificar ocorrência de brusone nas folhas do trigo, causando lesões elípticas com margem de coloração marrom escuro e centro acinzentado. Os grãos nas espigas atacadas pela doença são menores e enrugados, isso ocorre devido à interrupção no fluxo de nutrientes a partir do ponto de infecção na ráquis.

Escala diagramática de brusone no trigo

4-pontos-brusone-no-trigo2Fonte: EMBRAPA Trigo, Maciel (2015)

Sintoma de brusone nas folhas de trigo4-pontos-brusone-no-trigo3Fonte: www.agencia.cnptia.embrapa.br

4- Controle da doença

O controle desta doença é bastante difícil, o manejo mais eficiente deve integrar:

  • janela de plantio: normalmente a doença se desenvolve menos nos plantio tardios;
  • cultivares resistentes: há diferentes níveis de suscetibilidade nas cultivares comerciais;
  • rotação de culturas: essa prática não evita a doença mas ajuda a diminuir a quantidade de inoculo inicial, diminuindo sua incidência e o progresso da epidemia no campo;
  • controle químico: uma das alternativas é o uso de fungicidas específicos em aplicação preventiva antes do início do espigamento, com uma segunda aplicação 10-15 dias após a primeira.

Um dos entraves no controle químico é a dificuldade de atingir o alvo da aplicação por conta das características das espiguetas de trigo, o que pode resultar em índices de controle não satisfatórios. Para melhorar o manejo da brusone é necessário ficar atento às condições climáticas durante a fase reprodutiva da cultura, iniciar a aplicação de fungicida no final do emborrachamento e repetir a pulverização no florescimento (cerca de 15 dias após a aplicação anterior). Nesse caso uso de adjuvantes específicos contribui para aumentar a eficiência da aplicação.

4-pontos-brusone-no-trigo4Diferença duas cultivares em relação à suscetibilidade a doenças