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Inseminação artificial, monta natural e monta natural controlada: vantagens e desvantagens

Inseminação artificial, monta natural e monta natural controlada: vantagens e desvantagens
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A crescente demanda por proteína animal exige que o sistema de criação seja cada vez mais eficiente. O ponto principal para obter um bom retorno econômico é a reprodução, pois é a partir dela que os produtos são gerados. A Inseminação Artificial (IA) é definida como o processo mecânico, pelo qual o sêmen do macho é depositado no aparelho reprodutivo da fêmea (1). A IA é a zootecnia que apresenta melhor relação custo-benefício (6). Porém, poucos rebanhos brasileiros a utilizam, sendo que, menos de 10% das fêmeas produtoras de leite se reproduzem por esta técnica (3). Portanto, a reprodução, na maioria das propriedades brasileiras, ocorre através do uso de touros, podendo utilizar a Monta Natural (MN) que é quando o macho e a fêmea realizam a cópula livremente, sem interferência do homem ou a Monta Natural Controlada (MNC), em que há interferência do homem, que leva a fêmea em cio ao macho (4).

Inseminação Artificial

Vantagens:

  • Melhoramento genético proporcionado ao rebanho, já que são usados touros selecionados, geneticamente superiores 2,4,7. Além disso, possibilita o melhoramento genético entre raças, pois permite cruzar fêmeas zebuínas com machos taurinos ou vice-versa, o que muitas vezes é dificultado pelas condições climáticas, que não são favoráveis aos animais europeus. Se o rebanho é constituído por fêmeas com diferentes graus sanguíneos, facilita o controle do acasalamento, já que em um mesmo botijão pode haver sêmen de vários touros (1)(7).
  • Evita a disseminação de doenças, pois não ocorre o contato físico entre os animais e os touros doadores são submetidos a rigorosos testes, preservando, assim, a condição sanitária do rebanho (1)(7).
  • O sêmen, quando congelado, conserva a sua viabilidade por tempo indefinido, não sendo necessária a utilização do sêmen fresco, imediatamente após a sua coleta (1).
  • Uso de touros após a morte – Permite utilizar touros com problemas adquiridos que impossibilitem a monta ou mesmo após a sua morte (1, 2,7).
  •  Multiplicação de genética – A diluição do sêmen permite que em uma coleta sejam produzidas várias doses, aumentando muito o número de filhas de um mesmo touro (1,7).
  • Os custos da inseminação são superiores aos da monta natural, mas os ganhos em produtividade devido ao melhoramento genético propiciado ao rebanho compensam o investimento (1). Além disso, o custo unitário é reduzido com o maior número de inseminações.
  • Prevenção de acidentes com fêmeas, principalmente as novilhas, em cruzamentos com touros pesados (1,7).
  • Prevenção de acidentes com pessoas, devido ao comportamento agressivo de alguns touros (1,7). Animais de temperamento calmo ,podem, também, repentinamente, avançar sobre a pessoa mais próxima.
  • Redução da dificuldade de parto – Reduz a dificuldade de parto pelo uso de touros que, comprovadamente, produzem filhos de pequeno porte ao nascimento, mas que tem o crescimento normal após este. Portanto, além de reduzir o risco de perder a fêmea, ainda produz filhas superiores a ela (1, 7).
  • Melhora do controle zootécnico do rebanho – Este aspecto constitui uma prática de grande importância, pois a anotação correta dos dados possibilita realizar uma avaliação rigorosa do desempenho reprodutivo resultante do programa de IA, permitindo alcançar as metas estabelecidas (1).
  • Permite realizar acasalamentos corretivos. Através de dados dos reprodutores, obtidos através do teste de progênie, é possível direcionar o acasalamento de maneira a aumentar a produção e corrigir características lineares (1, 7).
  • Democratização do melhoramento genético: A IA democratiza o melhoramento genético, beneficiando tanto os pequenos, quanto os médios e grandes produtores (4, 7).
  • Permite a padronização do rebanho, já que é possível utilizar pequena quantidade de reprodutores em um grande número de fêmeas, resultando em homogeneidade do rebanho facilitando assim, a comercialização da produção (7).

Desvantagens:

  • A grande limitação da IA é a baixa taxa de prenhez, quando não há uma observação de cio eficiente ou quando a técnica de inseminação não é dominada (2,4,6).
  • A IA exige tempo e mão-de-obra treinada e motivada para a observação do cio e para a realização da técnica (1, 2).
  • Da mesma forma que a IA promove o melhoramento genético do rebanho e controle sanitário, pode ter o risco de a técnica disseminar na população uma expressão genética negativa ou mesmo doenças reprodutivas. Porém, se o material genético for adquirido de centrais registradas, o risco é insignificante (1).
  • Dificuldade de manter o sêmen armazenado devido à disponibilidade de nitrogênio líquido (1).

Monta Natural

Vantagens:

  • Redução de mão-de-obra – A Monta Natural tem como principal vantagem a diminuição da mão-de-obra, já que exclui a necessidade de observação de cio bem como o treinamento de pessoal (4).

Desvantagens:

  • As cópulas ocorrem livremente, sem interferência do homem e também à noite, portanto as anotações ficam prejudicadas (3, 4).
  • O touro pode transmitir doenças às fêmeas, pois a dificuldade de controle sanitário é maior (4).
  • Risco de ocorrer acidentes quando a fêmea for coberta por um touro muito grande ou pesado ou mesmo com as pessoas quando o macho apresentar comportamento agressivo (4).
  • Aumenta a possibilidade de acidentes com o próprio touro (4).
  • Menor aproveitamento do macho – utiliza um baixo número de fêmeas (aproximadamente 30 por ano) por touro, produzindo poucos descendentes (4,5).
  • Consertos e manutenção de cercas.
  • Perda de bezerras e novilhas por dificuldade de parto (1,7).
  • Risco na utilização de touros não comprovados como geneticamente superiores, reduzindo a produção.
  • Diminui a vida útil do touro, devido ao excesso de montas (4).

Monta Natural Controlada

Vantagens:

  • Propicia bom controle reprodutivo, pois permite registrar os dados em relação à data que ocorreu a cópula e quantas vezes a vaca foi coberta 3, programando as coberturas e parições e permitindo a identificação de problemas reprodutivos (4).
  • Aumenta a vida útil do touro (4).
  • Diminui a possibilidade de acidentes com o touro (4).
  • Permite maior aproveitamento de reprodutores, em relação à monta natural, pois ele cobre maior número de vacas por ano – cerca de 100 (4).

Desvantagens:

  • Necessita de um bom manejo para identificação da fêmea em cio e separação dela para o serviço quando ainda esteja aceitando a monta, o que pode acarretar perda de cios (3, 4).
  • Maiores gastos com mão-de-obra e instalações, pois o touro fica em piquete separado das fêmeas e, quando estas estão em cio, elas devem ser levadas ao macho. É recomendável o argolamento do macho para facilitar o manejo, caso seja necessária a contenção deste (3,4).
  • O consumo desses animais deve ser controlado para evitar a obesidade e, conseqüentemente, não prejudicar o desempenho reprodutivo (3).

A IA é uma técnica financeiramente vantajosa, permite grandes ganhos genéticos no rebanho e constitui uma alternativa à monta natural quando os problemas de manejo estiverem solucionados. Em relação à monta natural e à monta natural controlada, deve-se ter como prioridade a manutenção de um bom sistema de registros e os cuidados sanitários do rebanho devem ser rigorosos para evitar a disseminação de doenças.É importante também realizar exames andrológicos periodicamente nos touros, sob o risco deste não estar normal do ponto de vista reprodutivo.

Referências bibliográficas:

  1. ALVAREZ, R. H. Considerações sobre o uso de inseminação artificial em bovinos. 
  2. AMARAL, T. B.; CORRÊA, E. S.; COSTA, F. P. Monta Natural X IA
  3. BARBOSA, R. T. Touros: quantos usar? Revista Leite Integral, Belo Horizonte, nº 12, p. 44-45, dez. 2007/ jan. 2008.
  4. FERREIRA, A. M., et al. Monta Natural e Monta Natural Controlada
  5. MARTINEZ, M. L.; YAMAGUCHI, L. C. T.; VERNEQUE, R. S. Manual do Usuário
  6. NEVES, E. F. Biotécnicas aplicadas à Reprodução Animal. Revista Leite Integral. Belo Horizonte, nº 2, p. 34-35, out. 2007.
  7. RUAS, R. Investir na inseminação artificial é econômico e vale a pena