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Alimentação de bovinos leiteiros

Conheça as exigências minerais de bovinos

Conheça as exigências minerais de bovinos
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Vacas no pasto Para que o animal seja capaz de manter seus processos metabólicos (crescimento, produção de leite, reprodução, etc.) uma grande quantidade de elementos inorgânicos são necessários. Elementos inorgânicos necessários em gramas são referidos como macrominerais. São eles: cálcio, fósforo, sódio, cloro, potássio, magnésio e enxofre. Os elementos inorgânicos necessários em miligramas ou microgramas são referidos como micro minerais. São eles: cobalto, cobre, iodo, ferro, manganês, molibdênio, selênio, e zinco.

De uma maneira simples, a quantidade destes minerais necessária para manter um animal vivo (mantença), mais a quantidade presente no leite, adicionada da quantidade presente necessária ao feto, define o requerimento de uma vaca leiteira. A soma total do mineral disponível na dieta menos o requerimento do animal, define a quantidade que precisa ser suplementada.

As exigências de minerais em bovinos variam de acordo com o tipo e nível de produção, a idade do animal, a raça e o grau de adaptação dos animais, o nível e a forma química do mineral no alimento, e suas relações com os outros nutrientes da dieta (McDowell, 1999).

As deficiências minerais são causa de algumas das principais doenças metabólicas que acometem os bovinos leiteiros, afetando a produtividade do rebanho. Estas desordens estão relacionadas com o desequilíbrio entre ingestão, absorção e exigências.

Absorção e interação entre minerais

Os minerais presentes nos alimentos (forragem ou concentrado) não são tão bem absorvidos pelo animal. A disponibilidade dos minerais é maior nos sais comumente usados (calcário, cloreto de sódio, etc.). Por exemplo, somente 30% do cálcio contido nas forragens são absorvidos pelo animal. Além disso, é preciso lembrar que também que existem interações entre os minerais no rúmen e no intestino do animal. O nutricionista se baseia em seus conhecimentos sobre a disponibilidade e as interações presentes, o que lhe permite trabalhar com números para atender os requerimentos do animal.

Macrominerais

Dentre os macrominerais, o cálcio tem um requerimento muito alto para a vaca leiteira, já que entre outras funções, está presente em grande quantidade no leite. O Cálcio também atua na formação de ossos e dentes, na contração muscular e na coagulação sanguínea. A quantidade requerida por vacas em lactação é o dobro daquela necessária para animais adultos não lactantes. Para gestantes, o requerimento é maior nas últimas semanas de lactação, quando ocorre maior calcificação dos ossos do feto. Animais jovens apresentam maiores exigências deste mineral, devido à maior deposição em tecidos esqueléticos. Atenção para suplementação excessiva! A proporção de cálcio absorvida diminui com o aumento de cálcio dietético acima das exigências.

O Fósforo é o mineral que tem mais funções no corpo em relação a todos os outros. É também um dos minerais mais caros, e comumente é oferecido muito acima do requerimento.  A suplementação acima da exigência não apresenta impacto na produção e no consumo. Por outro lado, a deficiência de fósforo leva a infertilidade ou diminuição da performance reprodutiva.

Se a fonte de sódio para a dieta for cloreto de sódio, o requerimento de cloro será atingido ou ultrapassado. A perda de cloro pelo animal devido ao suor em temperaturas altas é pequena. Em adição, em um experimento utilizando 1,444 vacas foi observado que o aumento de cloro de 0.15% até 1.62% da dieta resultou em um declínio linear na ingestão de matéria seca e produção de leite. Portanto, cuidado deve ser tomado quando da utilização da prática de aumento da porcentagem de NaCl no verão devido ao stress térmico.

O potássio é um mineral que, muitas vezes, já está balanceado nas dietas comumente oferecidas para o gado leiteiro. O magnésio apresenta como maior ponto de absorção no animal o rúmen e o retículo. A absorção de magnésio diminui drasticamente quando o pH do rúmen está acima de 6.5, o que pode explicar a ocorrência de tetania das pastagens (tetania hipomagnesêmica).

O enxofre faz parte dos aminoácidos metionina, cisteína, homocisteína e taurina. Também está presente nas vitaminas do complexo B (tiamina e biotina). Ambos metionina, tiamina e biotina não podem ser sintetizados pelas células animais e devem ser oriundos da dieta ou dos microrganismos ruminais.

Microminerais

O cobalto é um dos componentes da vitamina B12. Se houver cobalto suficiente, os microrganismos ruminais podem produzir uma grande parte da vitamina B12 requerida pela animal. Os sinais da deficiência de cobalto são falhas no crescimento, perdas de peso, degeneração do fígado, menor resistência às infecções (MacPherson et al, 1987)

Dentre os microminerais, o zinco, cobre e o selênio foram os minerais que mais foram estudados. Tem sido recomendada a adição acima do requeridos destes minerais, quando respostas em saúde do animal (melhora qualidade do casco, baixa contagem de célula somática e melhora queratina no teto do úbere) têm sido observadas.

Vitaminas

É muito comum empresas adicionarem vitaminas juntamente aos minerais no mesmo produto. As vitaminas também possuem um papel essencial para o funcionamento da célula no animal. Os cálculos para o requerimento de vitaminas são semelhantes ao cálculos utilizados para os requerimento dos minerais. As vitaminas são classificadas em solúveis em óleo (A, D, E e K) e solúveis em água (vitaminas B e C).

As vitaminas A e E são requeridas, mas as vitaminas K e D não. Vitamina D é sintetizada na pele, utilizando energia contida na luz solar. A vitamina K é sintetizada por microrganismos presentes no rúmen e no intestino. A vitamina A e necessária para a metabolismos das células da retina e não deve estar presente em quantidades superiores a 66.000 UI/kg de MS. A vitamina E é um nome genérico para compostos solúveis em óleo chamados tocoferol e tocotrienol. Dentre estes, alfa-tocoferol é substância mais comum encontrada nos alimentos. Juntamente com selênio e zinco compõe o grupo de substâncias que atuam no sistema antioxidativo da célula. Sua suplementação tem sido muito praticada e apresenta resultados positivos na saúde animal.

O NRC de 2001 assume que o requerimento para o grupo de vitaminas do complexo B (biotina, acido fólico, inositol, niacina, acido pantotênico, B1, B2, e B12) é atingido através da síntese pelos microrganismos ruminais. Entretanto, a suplementação de vitaminas do complexo B (biotina, niacina e B12) tem sido estudado e tem apresentado resultados positivos.

Mineral na dieta ou no cocho separado ?

O método mais eficiente de fornecer minerais para bovinos é através de suplementos minerais combinados com concentrados, assegurando maior exatidão na quantidade a ser ingerida diariamente.

O consumo de minerais à vontade, por outro lado, é a maneira mais comum de oferecer  minerais aos bovinos a pasto. O sal comum é o veículo usado para dar palatabilidade à mistura mineral, ao mesmo tempo em que também funciona como regulador de consumo. Quando fornecido separadamente, é essencial que o mineral esteja sempre disponível no cocho, evitando que os animais o encontrem vazio ao buscar a suplementação (foto). O cocho deve ter cobertura, já que alguns componentes são solúveis em água.

Vacas se alimentando no cocho

Existem trabalhos mostrando que, quando animais têm acesso livre a minerais, os requerimentos não são atingidos.

Quantidade de minerais na água

Em um experimento onde foram coletadas 3.618 amostras de água em propriedades americanas, os autores concluíram que somente a água pode ser suficiente para suprir os requerimentos de alguns minerais.

Orgânico vs. Inorgânico

Na forma orgânica, o mineral é ligado a um carboidrato, aminoácido ou proteína. São chamados também de quelato (mineral quelatado). Os minerais orgânicos possuem uma maior disponibilidade para a célula animal que os minerais inorgânicos. Entretanto, resposta em parâmetros digestivos, produtivos e reprodutivos ainda não são claras.

Determinação das necessidades e suplementação

O atendimento pleno às exigências minerais de bovinos leiteiros é premissa à saúde e produtividade. A determinação da quantidade a ser suplementada, assim como o cálculo e formulação adequada de dietas, não é tarefa simples. Desta forma, para ser  eficiente, evitando deficiências e também excessos, o trabalho do técnico com formação apropriada para tal é fundamental. Este profissional, por meio de análise de cada realidade é capaz de determinar as possibilidades a serem exploradas por cada sistema de produção.