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plantação de feijão

Quais são as principais doenças do feijoeiro?

Quais são as principais doenças do feijoeiro?
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Qual a importância de se manejar as doenças do feijoeiro?

O cultivo do feijoeiro é uma das principais atividades agrícolas do país, tanto pela área cultivada quanto pelo valor agregado. Entre os fatores que limitam a produtividade da cultura, se destaca a ocorrência de doenças, as quais podem causar perdas superiores a 50% na produção ou até mesmo perdas totais caso não seja empregado o manejo adequado.

Grãos de feijão cariocaFigura 1: Grãos de feijão carioca (Dama) com excelente qualidade fisiológica

Existem mais de 200 doenças que afetam o feijoeiro, que podem ser causadas por fungos, bactérias e vírus. Na Tabela 1, são apresentadas as principais doenças que afetam o feijoeiro.

principais doenças do feijoeiro

Tabela 1: Algumas das principais doenças do feijoeiro

Há diferença entre a ocorrência de doenças no cultivo de feijão de sequeiro e irrigado?

O sistema de cultivo de feijão irrigado e a qualidade das sementes favorece a infecção de fungos de solos e pode aumentar a dispersão dos fungos que colonizam a parte aérea do feijoeiro. No sistema de sequeiro podemos citar duas doenças que possuem potencial para causar sérios danos à cultura. São elas: a Antracnose e o Mofo-Branco. Neste artigo vamos dar foco a essas duas doenças que afetam a produtividade e a qualidade dos grãos.

Quais são as condições climáticas que favorecem o desenvolvimento da Antracnose e do Mofo-Branco?

A Antracnose tem seu desenvolvimento potencializado em temperaturas que variam entre 13ºC e 26ºC e com alta umidade relativa do ar. A alta umidade também favorece a ocorrência de Mofo-Branco, porém a temperatura ótima para o desenvolvimento da doença está entre 15ºC e 25ºC e dias com pouca radiação solar.

Como identificar os sintomas da Antracnose e do Mofo-Branco?

Os sintomas da Antracnose podem se manifestar em toda parte aérea da planta, com o desenvolvimento da doença surgem lesões deprimidas de coloração marrom-escura tanto na haste quanto no caule da planta. Nas folhas a manifestação da doença se dá na parte abaxial ao longo das nervuras que levam ao estrangulamento da nervura e adquirem coloração marrom-escura (Figura 4).

 Lesão de atracnose em folha de feijãoFigura 4: Lesão de atracnose em folha de feijão

Nas vagens as lesões são bem definidas com formato arredondado e com tamanho variável, possuem o centro da lesão claro e com um anel negro delimitando.

Vagem com sintoma de atracnoseVagem com sintoma de atracnose

Os sintomas de Mofo-Branco apresentam inicialmente lesões encharcadas que atingem tanto a haste quanto o caule das plantas podendo se expressar nas folhas e vagens. Após a infecção do tecido ocorre a formação de micélio cotonoso (Figura 3).

Vagens com sintoma de mofo-brancoFigura 3: Vagens com sintoma de mofo-branco

Com a evolução da doença os tecidos apresentam podridão e as folhas das plantas ficam com aspecto carijó, amareladas.

Quais as principais práticas culturais para manejo da Antracnose e Mofo-Branco?

  • Para evitar as perdas ocasionadas por essas doenças sugere-se evitar o plantio de feijão após feijão evitando também áreas com histórico das doenças.
  • Realizar o planejamento do plantio a fim de evitar que a cultura seja cultivada em períodos frios principalmente a fase inicial da cultura.
  • Utilizar sementes de qualidade com certificação e realizar análise fitossanitária das mesmas.
  • Adotar o sistema de plantio direto visando aumentar a palhada no solo, em trabalhos atuais as palhadas de milheto e trigo tem se mostrado efetiva para o manejo das doenças.

Qual o manejo químico para estas doenças?

O manejo químico é outra ferramenta para se trabalhar com estas doenças. Na Tabela 2, são apresentados alguns dos principais ingredientes ativos e doses recomendas para controle de Antracnose e Mofo-Branco.

Tabela 2: Ingredientes ativos recomendado para o manejo de Antracnose e Mofo-Branco

Para Antracnose além dos dois ingredientes ativos citados na Tabela 2, é comum integrar ao manejo o uso de triazóis e estrobilurinas. As aplicações para o manejo destas doenças devem ser realizadas de maneira sequencial com produtos separados ou associados variando de acordo com a pressão da doença. A época e o número de aplicações são dependentes do sistema de cultivo, das condições climáticas e do estádio fenológico da lavoura.

Referências

COMISSÃO TÉCNICA SUL-BRASILEIRA DE FEIJÃO. Informações técnicas para o cultivo de feijão na Região Sul brasileira. 2.ed. Florianópolis: Epagri, 2012. 157p.

SARTORATO, A.; RAVA, C. A. Principais doenças do feijoeiro comum e seu controle. EMBRAPA-CNPAF. Documentos, 1994.