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Conheça os parâmetros de avaliação do líquido ruminal

O líquido ruminal funcional é essencial aos ruminantes. Ele é composto de microrganismos fermentadores: bactérias, protozoários, fungos e micoplasmas. Existe uma relação de simbiose de muitas vantagens para ambos: o animal fornece à microbiota substratos e ambiente ideal para o crescimento, enquanto os microrganismos fornecem aos hospedeiros ácidos graxos voláteis, proteína microbiana e vitaminas.

A maioria dos transtornos metabólicos causa alterações iniciais detectáveis, primeiramente e também principalmente, no líquido ruminal. A análise do líquido ruminal pode ser realizada mediante provas e equipamentos muito simples e baratos. A coleta de líquido ruminal pode ser feita por sonda esofagiana. Como na coleta pode haver contaminação da amostra com saliva, recomenda-se que os primeiros 200 ml sejam desprezados.

Coleta do material

Realizada através da sonda esofágica com bomba de via dupla ou que tenha capacidade de conexão na máquina de ordenha, de modelo longo (2 ou 3 metros), que alcance preferencialmente até o suco ruminal ventral.

É necessário até 500 ml de fluido para a realização das provas laboratoriais, que deve ser processado em até 8 horas após a coleta, quando acondicionados a temperaturas entre 20 a 22º C. Se as amostras forem mantidas sob refrigeração entre 1 e 4o C, deve-se examiná-las no máximo em 24 horas. O ideal é realizar as provas logo após a coleta, evitando-se assim alterações bioquímicas indesejáveis.

Figura 1: Transferência de suco de rúmen utilizando a sonda esofágica.

A hora da coleta influencia no resultado, por isso depende da variável que se quer estudar. Em animais sem sinais clínicos, o ideal é que a coleta seja realizada de 3 a 5 horas depois da alimentação.

Parâmetros

Figura 2: Suco de rúmen coletado.

Coloração

A cor depende até certo ponto do alimento ingerido pelo animal, variando do verde oliva ao verde amarronzado, até o verde acinzentado.

Em bovinos a pasto ou que recebam feno de boa qualidade, a cor é verde escura. Quando a alimentação básica do animal é silagem ou palha (alimento seco), a cor é amarela acastanhada. Se o animal ingeriu muitos grãos e concentrados a cor pode ficar do branco leitoso à acinzentada. Já nos casos de estase ruminal (fluxo digestivo parado) prolongada, é esverdeada e enegrecida, devido à putrefação.

Consistência

É ligeiramente viscosa, com conteúdo aquoso. O excesso de espuma está associado ao timpanismo espumoso, como, por exemplo, no timpanismo primário ou na indigestão vagal.

Odor

É aromático e forte, mas não é repugnante. Odor de mofo ou podre em geral indica putrefação de proteína. Um cheiro desagradável intenso é indício de formação excessiva de ácido láctico decorrente de sobrecarga por carboidratos ou grãos. Quando inodoro também está alterado, indicando suco ruminal inativo.

pH

Pode ser obtido usando kits de tiras ou fitas para avaliação de pH. Varia de acordo com o tipo de alimento e o tempo da última refeição e a obtenção de uma amostra. O pH normal varia de 6,2 a 7,2.

Detecta-se pH alto (8,0 a 10,0) na putrefação de proteína ou se a amostra estiver misturada com saliva. Já um pH baixo (4,0 a 5,0) é encontrado após consumo de carboidrato. Em geral um pH abaixo de 5,0 indica sobrecarga por grãos e acidose lática.

Sedimentação e flutuação

Consiste em deixar em repouso uma parte da amostra do conteúdo e medir o tempo em que aparecem os eventos de sedimentação e flutuação. O tempo normal esperado é de 4 a 8 minutos. Modificações neste tempo podem estar relacionadas a anormalidades como a ausência de flutuação decorrente de acidose.

Atividade Redutiva Bacteriana

Adicionam-se 0,5 ml de azul de metileno solução 0,03% em uma amostra de 10 ml do líquido ruminal. Mede-se o tempo transcorrido desde a adição do mesmo dentro do colorante até sua completa degradação dentro da amostra. Com a microflora normal, este tempo fica entre 3 e 6 minutos.

Nos casos de indigestão simples, é maior do que 8 minutos, podendo ficar acima de 30 minutos nos casos de acidose aguda.

Avaliação dos protozoários

As características mais importantes a serem avaliadas são a densidade de população e a intensidade de movimentos destes microrganismos. Por seu tamanho, podem ser observados a olho nu em uma amostra recém-coletada. A observação poderá ser feita de forma direta em um tubo de vidro ou em uma gota de líquido em uma lâmina com lamínula sob o microscópio óptico com o aumento de 100 vezes.

Figura 3: Microrganismos do rúmen.

Utilidade

A avaliação do líquido ruminal, além de auxiliar na detecção de anomalias digestivas provocadas pela dieta ou patologias, pode ser utilizada como ferramenta importante de prevenção de doenças metabólicas, assim como no tratamento de diferentes doenças digestivas, através da substituição da flora, por transfaunação (transferência de suco de rumem de um animal são para o doente), utilizando de 5 a 9 litros de um doador.

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